A Netflix lançou a série Os Abandonados prometendo dar um novo fôlego ao faroeste, gênero que costuma alternar entre a nostalgia e a busca por atualização. A produção, criada por Kurt Sutter, chegou ao catálogo cercada de expectativas por reunir elenco estrelado e abordar temas contemporâneos, como protagonismo feminino e maior representatividade.
Embora a proposta seja ousada, a história não foge completamente de armadilhas conhecidas. Mesmo com avanços nítidos, a série Os Abandonados esbarra em escolhas que já foram vistas em inúmeras tramas sobre o Velho Oeste. O resultado final recebeu avaliação de 3 em 5 estrelas nos veículos especializados, reforçando que ainda há espaço para ajustes.
Enredo ambientado no Território de Washington em 1854
A narrativa se passa no Território de Washington, em 1854, período marcado pela disputa de terras, consolidação de cidades e embates violentos. Nesse cenário, a série Os Abandonados coloca em rota de colisão duas famílias lideradas por viúvas com visões totalmente distintas de mundo.
De um lado está Fiona Nolan, interpretada por Lena Headey. Do outro, Constance Van Ness, vivida por Gillian Anderson. As duas carregam traumas, buscam proteger seus descendentes e disputam cada centímetro de território, transformando o conflito em algo pessoal e sangrento.
Duas viúvas com ideais opostos guiam a trama
Fiona Nolan assume a responsabilidade de conduzir a família depois da morte do marido. Ao seu redor orbitam quatro filhos adotivos já adultos: Elias Teller (Nick Robinson), Dahlia Teller (Diana Silvers), Albert Mason (Lamar Johnson) e Lilla Belle (Natalia del Riego). O grupo se une não por sangue, mas por laços de lealdade e afeto.
Constance Van Ness governa os próprios rebentos com mão de ferro. A herdeira defende a linhagem biológica como símbolo máximo de poder e exige dedicação absoluta dos filhos Willem (Toby Hemingway), Garrett (Lucas Till) e Trisha (Aisling Franciosi). Essa rigidez reforça a imagem do faroeste tradicional contra a nova dinâmica dos Nolan.
Família Nolan valoriza afeto e diversidade
Um dos pontos de maior destaque da série Os Abandonados é a composição heterogênea da família Nolan. Entre os filhos adotivos, há um homem negro, uma garota descendente de povos indígenas de El Salvador e México, além de um nativo-americano. Essa mistura contrasta com o padrão masculino branco dominante nos faroestes clássicos.
Na prática, os personagens não são definidos apenas pela origem, mas pelos próprios objetivos. Elias, por exemplo, busca honrar a liderança de Fiona, enquanto Dahlia tenta equilibrar coragem e compaixão. Essa abordagem garante profundidade extra às jornadas individuais.
Clã Van Ness exemplifica a velha guarda do gênero
No polo oposto, Constance concentra fortuna, influência política e falta de escrúpulos. O primogênito Willem segue o caminho da violência sem pudor, transformando-se no braço armado da matriarca. Garrett prefere a razão, mas não hesita em sujar as mãos quando necessário. Já Trisha se mostra dividida: lealdade familiar ou simpatia pela causa dos Nolan?
O elenco de apoio inclui nomes de peso, como Michiel Huisman (Roach), Michael Greyeyes (Jack Cree), Ryan Hurst em papel com forte carga emotiva e Patton Oswalt em breves aparições. A quantidade de personagens é grande, porém a série adota narrativa direta para evitar dispersão.
Diversidade avança, mas velhos problemas persistem
Ao apresentar protagonismo feminino e elenco multicultural, a série Os Abandonados dá passos importantes para modernizar o faroeste. Ainda assim, uma parcela considerável do elenco secundário continua branca, sinalizando que a mudança não é total.
Imagem: Internet
O roteiro também tropeça em convenções antigas. O crime que detona a rivalidade logo no primeiro episódio é um clichê frequente no gênero. Essa escolha reduz o impacto da premissa e faz o público mais acostumado a histórias de época levantar o questionamento: por que não tentar algo novo?
Narrativa direta reduz confusão, mas recorre ao lugar-comum
A série evita flashbacks excessivos e subtramas desnecessárias. As famílias Nolan e Van Ness já se odeiam antes mesmo da cena de abertura, o que permite ritmo ágil. No entanto, parte da audiência pode sentir falta de inovações mais profundas na motivação do conflito.
Mesmo com ambientação urbana — a disputa ocorre em uma cidade em expansão, não em pradarias isoladas — pouco se altera em relação ao que o espectador já viu em títulos clássicos. Há carros de boi, duelos e ameaças de invasão de terras, ingredientes reconhecíveis para fãs de faroestes.
Violência e disputa por terras movem o conflito
O Velho Oeste retratado em Os Abandonados é brutal. Crime, corrupção e disputas territoriais permeiam cada diálogo. Ao contrário de histórias sobre pioneiros em busca de um recomeço, o ponto central aqui é a preservação de um patrimônio erguido ao longo de gerações.
Esse viés aproxima a produção de sucessos recentes, como Yellowstone, que também explora herança e luta por posse de terra. Entretanto, quem procura a intensidade dramática do seriado estrelado por Kevin Costner pode estranhar o tom mais contido de Os Abandonados.
Avaliação de 3 estrelas e recepção moderada
Críticos atribuíram nota 3 de 5 estrelas à série Os Abandonados. O veredito reconhece avanços em diversidade e protagonismo feminino, mas aponta limitações em inovação narrativa. O faroeste contemporâneo precisa se libertar de mais amarras para, de fato, se renovar.
Para o público do BlockBuster Online, a novidade vale a conferida, sobretudo para quem gosta de histórias de época recheadas de conflitos familiares. Ainda que não revolucionária, a produção oferece elenco de peso, ambientação caprichada e discussões que refletem desafios sociais do século XIX.
Resumo rápido
– Título original: Os Abandonados (Netflix)
– Criador: Kurt Sutter
– Ambientação: Território de Washington, 1854
– Protagonistas: Lena Headey (Fiona Nolan) e Gillian Anderson (Constance Van Ness)
– Destaques: elenco diversificado, protagonismo feminino e nota 3/5 nos reviews
A série Os Abandonados já está disponível no catálogo da Netflix com oito episódios na primeira temporada. Interessados podem conferir a produção para avaliar se as tentativas de modernização do faroeste funcionam ou se os clichês ainda falam mais alto.
